
A participação do ex-governador Paulo Afonso Vieira (MDB) em um comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma disputa pública dentro do MDB catarinense. O deputado federal Rafael Pezenti (MDB-SC) publicou um vídeo criticando duramente a presença do correligionário no ato realizado no sábado (19), em Florianópolis.
Paulo Afonso compareceu ao evento usando uma jaqueta vermelha e um boné com a inscrição “Lula 2026” e, ao final, esteve no palco ao lado de Lula e de outros participantes do ato.
Pezenti afirmou que a atitude do ex-governador acaba sendo associada ao MDB por causa da trajetória de Paulo Afonso dentro da legenda. Em uma das declarações mais fortes do vídeo, o deputado disse que o ex-governador está há 24 anos sem disputar uma eleição e afirmou que ele “não teve mais coragem de encarar a urna”.
O parlamentar também declarou que o apoio de Paulo Afonso ao PT contribui, na avaliação dele, para enfraquecer o MDB e prejudica principalmente uma nova geração de integrantes da legenda que não compartilha desse posicionamento.
Pezenti afirmou ainda ter recebido convites de pelo menos seis partidos durante a janela partidária, mas decidiu continuar no MDB para tentar promover mudanças internas. Ao defender uma alteração no posicionamento da sigla, declarou: “Santa Catarina não quer a esquerda” — uma avaliação política do próprio deputado, não uma conclusão factual sobre todo o eleitorado catarinense.
O ex-governador apresentou uma justificativa diferente. Segundo Paulo Afonso, seu afastamento da campanha estadual do MDB ocorreu porque a legenda não lançou candidatura própria ao Governo de Santa Catarina. Ele também criticou o fato de o número 15 não estar na disputa majoritária para governador e afirmou que o comício de Lula seria o único ato político do qual pretende participar nesta campanha.
Paulo Afonso governou Santa Catarina entre 1995 e 1999 e posteriormente exerceu mandato de deputado federal. Sua última disputa eleitoral ocorreu em 2002.
O episódio evidencia divergências internas no MDB catarinense em plena campanha de 2026: de um lado, Pezenti defende que o partido adote um posicionamento mais alinhado à direita; de outro, Paulo Afonso mantém sua aproximação histórica com Lula e setores da esquerda
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