
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) entrou na polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a disputa presidencial de 2026. Em publicação nas redes sociais, ela repudiou um antigo projeto que pretendia alterar a denominação de “Padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O ponto central para compreender a controvérsia é a autoria da proposta. O projeto não foi apresentado por Flávio Bolsonaro. A iniciativa é de 2007, de autoria do então deputado Victório Galli, e acabou arquivada em 2008. A associação de Flávio à autoria ou ao apoio desse projeto foi apontada como informação falsa no contexto da campanha eleitoral.
Erika afirmou que repudiava “com veemência” a proposta. A parlamentar disse que cresceu em um lar evangélico, não é católica e defende o Estado laico, mas considera o projeto “esdrúxulo”. Para ela, a proposta atingiria um símbolo de forte identificação cultural e religiosa de parte significativa da população brasileira.
A publicação de Erika não atribuiu a autoria do projeto a Flávio Bolsonaro. A deputada mencionou o candidato ao tratar de uma possibilidade futura: escreveu que eventual movimento para trazer novamente o assunto ao debate, inclusive “pelas mãos de Flávio Bolsonaro” ou de aliados, deveria ser acompanhado com “cautela e atenção”. A defesa da parlamentar argumentou ao TSE que se tratava de uma opinião sobre uma hipótese futura, e não da afirmação de que Flávio tivesse apresentado ou apoiado o projeto de 2007.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, negou que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A informação de que ele apoiaria essa mudança circulou nas redes sociais e foi contestada judicialmente por sua campanha.
A publicação de Erika foi inicialmente incluída entre centenas de conteúdos alcançados por uma ordem de remoção do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral. Após recurso da deputada, Mendonça reconsiderou especificamente o caso dela e, em 29 de setembro, autorizou a permanência da postagem.
Segundo a decisão relatada pela imprensa, Mendonça entendeu que a postagem de Erika não reproduzia como fato a informação considerada falsa. A mudança não significou, porém, que o ministro tenha validado a alegação de que Flávio pretendia retirar o título da santa; as ordens contra conteúdos que apresentavam essa associação como fato continuaram sendo tratadas separadamente.
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